sexta-feira, maio 02, 2014

a arte da teimosia

o Lukeny Bamba é um teimoso do caraças, só pode! 

sou louco por Luanda, é a minha cidade, o meu lugar, a minha aldeia, o meu amor, o meu porto e sem duvida alguma uma das minhas inspirações para os meus sonhos, incluindo alguns que espero realiza-los noutros lugares do mundo, mas não tenho receio de assumir que ela não é fácil, como diz um amigo, não é um lugar para fracos! 

o Lukeny é o responsável pelo Artes ao Vivo, uma iniciativa cultural e não só, que à 10 anos acontece nesta cidade. já passaram por três lugares diferentes e hoje estão no Espaço Bahia todas as terças-feiras, onde um grupo de pessoas junta-se para em microfone aberto fazer poesia, prosa poética, spoken word, por vezes música ao vivo, ou simplesmente estar ali para falar à branco com outras pessoas interessantes. não há como negar, 10 anos a organizar uma coisa dessas numa cidade que muitas vezes aplica duros golpes de decepção aos seus habitantes não é para fracos, é mesmo para pessoas de alguma forma especiais como o gaijo do Lukeny, esse amigo que felizmente cruzou o meu caminho ainda na minha infância.
   

terça-feira estive lá para presenciar mais uma noite de Artes ao Vivo, com um convidado muito especial para mim e sem duvida alguma para a cidade de Luanda. o convidado foi o TEDxLuanda 2014, um evento que tenho tanto orgulho por estar envolvido graças ao Januario Jano, outra pessoa que muito admiro mas que terá direito a um post próprio no dia em que decidir escrever sobre um homem que adora o conceito da partilha das ideias.
   

então os astronautas subiram ao palco e falaram sobre as suas experiências em serem TEDxster e de como essa plataforma mudou para sempre a sua forma de olharem o mundo. é verdade que têm havido algumas dificuldades, alguns dias cinzentos e até algumas noticias que quase nos derrubam, mas a teimosia é um factor indispensável para quem quer ser feliz em Luanda, e por isso, temos feito o melhor para que no dia 14 de junho O PODER DAS IDÉIAS seja partilhado com todos que estiverem interessados. 

brevemente, voltarei a este assunto. 
 


terça-feira, abril 29, 2014

quarta-feira, abril 23, 2014

no dia do livro

naquela casa onde cresci, algures pela cidade de Luanda, havia livros e mais livros. muitos de capa vermelha com letras numa língua esquisita que mais tarde vim a descobrir ser russo, outros em francês, inglês, espanhol, português e até havia um muito especial que o pai nunca deixava ninguém tocar, eram palavras em kioko! 

como criança e apesar de passar toda minha infância no meio de muitas palavras, pouco valor dava aqueles blocos que se acumulavam nas instantes lá de casa, ao ponto muitas vezes de dar um uso indevido aquelas páginas que nunca saberei ao certo que histórias contavam. quantas páginas não rasguei por birras infantis, quantas páginas não foram riscadas com os meus lápis de cor de filtro, muitas páginas foram queimadas no terraço lá de casa simplesmente porque achava engraçado roubar a caixa de fósforo da cozinha e inventar uma fogueira por cima daquelas letras... há muitas páginas até que foram usadas na casa de banho depois esvaziar o estômago, enfim, apesar de todas as maldades que fiz com as páginas dos livros que tinha lá em casa, existem também muitas outras páginas à quem tratei com carinho e que moldaram esse meu gosto por um dos objectos mais importantes da minha vida.

Angola Ano Zero

além da família e os amigos, cá está um momento que também devo agradecer aos anónimos que passam por esse espaço pelo contributo que deram por esse trabalho. 

muitas vezes, um email com palavras de incentivo e até reparos ajuda-nos a melhorar. 
 
mais informações sobre o circuito do documentário: 

terça-feira, abril 22, 2014

se também és contra, junta-te à nós

provavelmente, essas são as paredes do lugar mais democrata da cidade de luanda.

artistas, doutores, estudantes, toxicodependentes, engenheiros, roboteiros, kinguilas, adultos, expatriados, ricos, pobres, idosos, esfomeados, delinquentes, alcoólicos, políticos, jornalistas, jovens, pedreiros, rastas, carecas, enfim, toda gente sempre foi bem vinda no Elinga, essa casa de todos mas que infelizmente o demónio imobiliário quer agarrar com as suas mãos sujas.

quinta-feira, abril 17, 2014

para compartilhar

todos os dias recebo montes de emails colectivos com os mais diferentes assuntos. na sua maioria vão parar ao lixo sem sequer me dar ao trabalho de ler. mas há aqueles pessoas como a N, que sempre mandam emails surpreendentes como este. 

[Sandra vai dar a volta ao mundo para celebrar a vida e fotografar quem lê.

[Acordo Fotográfico]
   
foto acordo fotográfico

quarta-feira, abril 16, 2014

para compartilhar

cá está mais uma prova de como Luanda é uma cidade surpreendente. 
assim, "do nada" encontramos sempre mais uma pessoa interessante.
e foi assim, "do nada" que hoje encontrei The Alexe Affair.

terça-feira, abril 15, 2014

"Nzo" — do Kikongo — Casa, morada, onde se vive, uma casa normal.

uma das coisas que mais me surpreende em luanda é a forma "do nada" em como conhecemos pessoas interessantes. 

conheci a L e a S assim, "do nada" num dia qualquer "do nada" e se não me engano num daqueles ambientes “do nada” que só acontecem nessa luanda, e que só neste momento me apercebo de como o tempo passou! 

a L e a S são as sonhadoras responsáveis do projecto NZO, aquele email que muitos de nós recebemos com as actividades culturais que semanalmente vão acontecer em luanda. 

mas muito antes da NZO existir como agenda cultural, já recebia os emails da L que nunca foram chatos como aquela pilha de mails colectivos que recebemos diariamente na nossa caixa de correio. muito pelo contrario, os emails da L sempre tiveram algo de interessante, algo de comunitário, algo de voluntariado e foram desse emails que muitas vezes alimentei a categoria um convite aos de cá aqui no attelier. 

no outro dia, estivemos no instituto camões para ver o lançamento do site da NZO, um momento que testemunhei com bastante alegria e satisfação, porque é assim que me sinto sempre que vejo projectos que "do nada" se tornam referência. 

então já sabem, se passarem por aqui e não encontrarem nenhum convite para um show, lançamento de um livro, um evento de pé de dança ou aulas de salsa, procurem na NZO agenda que de certeza vão encontrar tudo sobre o que se passa culturalmente em luanda.

quinta-feira, março 27, 2014

Huambo Música Sessions


a primeira vez que tive contacto com o Victor Gama foi em 2011, quando ele apresentou com os seus instrumentos musicais esquisitos no centro cultural português um momento inesquecível. já não me lembro ao certo, mas acho que um dos instrumentos chamava-se pangueia! foi também naquela noite que tive o primeiro contacto com o projecto Tsikaya – músicas do interior

naquele dia, voltei para casa impressionado, e como faço sempre, espero a madrugada para descarregar as fotos e escrever um texto sobre o momento que tinha passado. descarreguei as imagens, postei uma aqui mas não escrevi o texto naquela madrugada, nem na seguinte e nem depois. na verdade, o tempo passou e nunca mais consegui escrever sobre aquele momento. 

ontem, na apresentação do segundo cd Huambo Música Sessions num espaço novo aqui em luanda, ouvi o Victor Gama mentalmente distante, simplesmente porque eu não estava ali, a medida que ele ia falando e as imagens e os sons que eram projectados ao fundo, viajei para as férias de infância que passava no Nzagi com o meu avô. 

em casa, de madrugada enquanto escrevia esse post e escutava o disco sem perceber uma única palavra do que é dito, gostei tanto ao ponto de me ter arrependido de não ter falado uma única palavra com o Victor Gama. não queria falar muito, talvez dar-lhe um abraço e dizer-lhe obrigado. para mim, bastava. 

O projecto Tsikaya - Músicos do Interior convida músicos e compositores do meio rural a participar numa plataforma digital com capacidade para aceder a uma audiência global e promover a sua música. Gravações de campo são regularmente realizadas através de equipas locais em cada província contribuindo para um arquivo digital de música tanto tradicional como contemporânea. Atualmente o projeto inclui músicos das províncias do Cuando-Cubango, Benguela, Huíla, Cunene e Huambo e pretende cobrir todo o território nacional. Inclui ainda uma amostragem de arquivos realizados por Ulrich Martini no Bié entre 1969 e 1973 e pela Diamang nas décadas de 40, 50 e 60, o que vem permitir uma comparação entre música e instrumentos que se praticavam nessas épocas e o que se pratica na atualidade. Numa iniciativa para oferecer aos visitantes uma contextualização social e cultural, criámos um novo projeto designado Huambo Sound Map com sons, imagens e vídeo de lugares, pessoas e eventos gravados naquela cidade em 2013. Um intercâmbio com a Fundação Colombiana Mas Arte Mas Acción permitiu-nos expandir a experência deste projecto e trabalhar com músicos afro-colombianos ao longo dos rios Guapi, Napi e Timbiqui na costa pacífica da Colombia dando origem ao novo Tsikaya/Colombia Sound Map. Tsikaya foi iniciado por Victor Gama em Angola em 1997 e é uma produção da PangeiArt em parceria com a União Nacional dos Artistas e Compositores, UNAC, a Brigada Jovem de Literatura, BJL, e parceiros de anteriores edições Bismas das Acácias, ADRA Antena Huíla e Chá de Caxinde com o patrocínio da Prince Claus Fund.
Carlos Africa from victor gama on Vimeo.

terça-feira, março 11, 2014

quinta-feira, março 06, 2014