quarta-feira, novembro 19, 2008

os Lang´i em Luanda

quando ele me perguntou se queria ir ao Chá de Caxinde assistir ao show dos Lang´i a primeira pergunta foi, mas quem são?
respondeu que eram uma banda do Congo Brazaville e a primeira vez que os tinha visto ficou maravilhado com a dupla formada entre Oupta e Kében.

a chegada, lia-se no cartaz que a banda era de jazz!
a saída, já maravilhado (também) com aquela actuação cheguei a conclusão que aquilo foi uma fusão de jazz, R&B e Ndombolo (um estilo próprio lá do Congo).




no final o público cantou, dançou e celebrou com a banda.




INPUT colecção sindika dokolo

convite com boa pinta, o local da exposição já conhecia e a lista de artistas era interessante. então, lá fui.

a entrada viam-se ao fundo os quadros do tunisino Jellel Gastelli, obra forte e interessante, ao meu lado as meninas com unhas arranjadas, cabelos saído do salão e calças em ganga, cheiravam a perfume com tons de oceano! a primeira dizia para a segunda que Luanda agora já tem arte contemporânea, e assim já era possível convidar o jovem para ver uma exposição. a segunda respondeu que não valia a pena perder o seu tempo porque ele não entendia nada dessas coisas. riram-se as duas e em seguida olharam para o lado, meio atrapalhado fingi estar distraído nos quadros das vacas loucas, obra do sul africano Nandipha Mntambo.

a exposição tinha poucos trabalhos e alguns nem eram assim tão interessantes, mas numa cidade onde estes eventos têm um intervalo de tempo indeterminado, é muito complicado a critica negativa talvez porque ao menos encontra-se sempre gente interessante com quem se pode conversar bem nestas raríssimas galerias. 

Kiluanji Kia Henda com a sua peça Guantanamo Calling representou uma adaptação muito interessante sobre como visualiza a cadeia.

segunda-feira, novembro 17, 2008

um convite aos de cá


Competição Oficial de Longas Metragens
Tropa de Elite
José Padilha | Brasil

Happy-go-Lucy
Mick Leigh | UK

Deux Jours à Tuer
Jean Becker | França

Juju Factory
Balufu Bakupa-Kaniynda | Congo

4 de Copas
Manuel Mozos | Portugal 

Zimbabwe
Darrel James Roodt | África do Sul

My Blueberry Nights
Wong Kar Wai | EUA

Africa Unite
Stephanie Black | EUA

Competição Oficial de Curtas Metragens
Must Peter
Priit Paasuke | Estónia 

La Revale
Carlo Pisani | Itália

Corrente
Rodrigo Areias | Portugal

Kunta
Ângelo Torres | S. Tomé e Príncipe

Kiari
Mário Bastos | Angola/EUA

Amanhã Será Diferente
Pocas | Angola/França

Germano
Vicente Ferraz | Brasil

Momentos de Glória
António Duarte | Angola

Deus não Quis
António Ferreira | Portugal

One Day
James Barriscale | UK

Competição Oficial de Documentários
Cuba, Uma Odisseia Africana
Jihan Tahrin | França

Escape From Luanda
Phil Grabsky | Escócia

The Reinactors
David Markey | EUA

Bab Septa
Pedro Pinho e Frederico Lobo | Portugal

As Duas Faces da Guerra
Diana Andringa e Flora Gomes | Portugal

Anabazys
Joel Pizzini e Paloma Rocha | Brasil

e ainda,
Sessões Especiais – Não Competitivas
Uma janela para ver... o Brasil
Uma janela para ver... a China
Visões de África 
Vídeo Angolano: Novas Tendências

um convite* aos de cá




*entradas a borliu, entenda-se grátis.

sábado, novembro 15, 2008

e novamente de partida ou como queiram, de regresso.

mudam os cheiros, sobe a temperatura, transforma-se a paisagem, alteram-se os sons, chegam os abraços e a saudade apaga-se temporariamente.


hoje de manhã na zona do Morro Bento, sul de Luanda

quinta-feira, novembro 13, 2008

hoje, é um bom dia para assumir 20

faz tempo que não sentia a sensação de como é me sentir só!

Elvas, e assim se faz o azeite



















quarta-feira, novembro 12, 2008

Elvas

sem algum destino premeditado, andei entre as ruelas de calçada portuguesa e os becos da pequena terrinha com casas de arquitectura passada, organizadas em fileiras estreitas que se parecem com um quadro em pintura de óleo.

com forte presença, o silêncio observa e ouve as conversas dos idosos sentados na principal e única praça da terreola, onde uns jogam as cartas e outros jogam recordações.
ali próximo, encontrei um chafariz e uma lavandaria pública ao estilo antigo. 

continuando a caminhada e já com a aldeia pelas costas senti-me perdido no meio das oliveiras alinhadas em filas perfeitas.
ao fundo, os homens e as mulheres que trabalhavam na colheita das azeitonas repararam no rapaz de mochila as costas que se aproximava, e então, paramos a olhar. eles para mim e eu para eles.
com sorriso nos lábios a senhora falava algo que eu não percebia e eu respondia algo que ela não percebia, e assim foi durante alguns minutos até que por fim se aproximou do grupo que me rodeava o homem de chapéu com a bandeira de Espanha estampada.



e foi assim que finalmente começamos a conversar, dois deles que falavam espanhol fizeram de interprete para os restantes e perguntaram-me como fui parar a quinta?



eu disse...
caminhando.

ele disse...
isso é propriedade privada.

eu disse...
não sabia, acho que estou perdido.

ele disse...
você é jornalista?

eu disse...
sim. posso fazer fotos?

ele sorriu e disse...
vamos aparecer na televisão?

eu disse...
sim.





então, contaram-me que eram romenos e estavam na quinta apenas para trabalhar porque quando terminassem passariam a fronteira para Espanha a procura de mais trabalho.
nenhum deles soube me dizer o nome do proprietário das terras, mas mostraram-me uma placa a entrada da linda casa com o nome da quinta.



antes de partir, olhei as azeitonas, os cavalos, as laranjas, as folhas, a casa e o céu. aqui, o céu parece um quadro perfeitamente pintado!



ao despedir-me, o homem perguntou-me se não queria voltar no dia seguinte para ver como se faz o azeite. mesmo antes de pensar na resposta, já lhe tinha respondido que sim, por isso já nada tinha a fazer!



despedi-me e continuei a caminhar.

segunda-feira, novembro 10, 2008

Alentejo, Kituxes e azeitonas

em cada país, as cidades também deveriam ser identificas pelo seu cheiro. Já imaginaram como seria atraente olhar para aquelas placas a saída dos aeroportos que dizem bem vindo a cidade X com o seguinte texto:
Bem Vindo a Estocolmo, a cidade que cheira a leite!



no Alentejo, onde tem-se a impressão que o tempo simplesmente para, o cheiro que mais se sente no ar é sem duvida alguma o de azeitonas verdes frescas!



foi aqui, neste silêncio interrompido apenas pelas vozes das árvores e o grito da paisagem que de repente deparei-me com o Cota António!
Tio Antonito (para os íntimos), vocalista da banda angolana Kituxi e seus Acompanhantes, tem um ar tímido e quase sempre responde as perguntas com expressões faciais. fala pouco com a boca, mas aqueles olhos quase que não se calam.



os Kituxes no Alentejo, repito no Alentejo, foram uma surpresa super agradável e o mais kuiozo foi puder estar nos bastidores e olhar como se preparam antes da actuação. o relacionamento entre os dois jovens da banda com os cotas (3), tem uma sincronização bastante africana, calam-se quando se devem calar e falam quando lhes é permitido sem que os cotas digam alguma coisa, são os olhares que fazem tudo!



as dançarinas, têm um sorriso tão branco que por momentos desconfiei se as lindas meninas não sabem o que quer dizer tristeza. uma delas disse-me que em cima do palco não se lembra o que são problemas.



no final, depois de muitas e muitas palmas fez-se a foto de família mas sem antes fazerem-me prometer que quando estiver na banda entregar as fotos em papel ao Tio Antonito. 



sábado, novembro 08, 2008

Paris

todo mundo deve(ria) ver este filme!

quinta-feira, novembro 06, 2008

para ti, que nunca me lês!

hoje pela manha regressei para te ver;

regressei a nossa pastelaria,
regressei a calçada da baixa,
fui olhar aquele teatro,
estive na tua livraria,
olhei os teus livros,
fotografei estes momentos,
e quando chamei por ti,
estavas ausente!

hoje, é um bom dia para assumir 19

numa livraria, é sempre desigual o confronto que tenho com eles.
nas prateleiras, eles dizem-me em voz alta leva-nos. 
do lado de cá respondo que já não posso.

mas a saída, reparo que acabo sempre por ceder!
diziam-me sempre que as partidas desanimavam-lhe porque significavam despedidas, e por mais que tentasse fingir, por dentro as lágrimas caiam-lhe aos montes!

e eu, respondia-lhe que as partidas traziam-me alguma alegria, talvez porque pouco olhava para as despedidas. o que me atraia mesmo era o facto da mudança de ares, de olhares, de cheiros ou da temperatura que o caso deste momento em que enquanto os outros que me rodeiam aproveitam para dormir, eu quero mesmo é olha-los!

para trás ficou a Luanda com sol brilhante e um calor gritante, e para frente, muito mais lá para frente vou encontrar o inverno que em alguns momentos sinto pela sua ausência.