sexta-feira, novembro 29, 2013

um convite aos de cá

quase um ano depois, regressei ontem ao país do cacau. 

o lado B da cidade

Nova Iorque, Joanesburgo, Berlim, Budapeste ou Cotonou, todas elas são cidades que têm o um lado B, a outra parte da cidade ou como algumas pessoas dizem, o lado de lá da cidade. na sua maioria, este lado é o mais antigo e por vezes mais pobre, o que não significa dizer que seja um lado sem charme. 

actualmente algumas cidades transformaram o seu lado B num lugar trendy ou retro, explorando o detalhe histórico que esses lugares oferecem aos moradores e turistas. há cidades em que se diz que as pessoas que vivem neste lado são mais sexy! 

a travessa dos mercadores fica em na baixa de Luanda num lugar historicamente privilegiado como é a zona dos coqueiros, mas ao mesmo tempo é também um lado B da cidade, com a diferença que por cá não temos sabido explorar as vantagens que esse lado da cidade poderia ter dado, talvez porque as imobiliárias não se importam com o sexy, trendy ou retro, aqui, as imobiliárias importam-se única e simplesmente com o lucro rápido, o que significa demolir a história para construir o “desenvolvimento”! 

é neste lado da cidade que descobri a Upgrade Art Room, uma galeria de arte que se encontra no número 18 e com a mesma entrada com a obrigatoriedade de passarmos pela loja de british clothing formal e à medida para pudermos chegar a cave onde se encontra a galeria. é um lugar perfumado com a historia da cidade, rodeado por demolições, alguma pobreza mas também requalificações e principalmente um lugar de circulação de pessoas. 

são também por esse tipo de descobertas e não só, que Luanda me fascina.
 

quinta-feira, novembro 28, 2013

terça-feira, novembro 26, 2013

quarta-feira, novembro 20, 2013

e se todos os dias acordássemos com palavras assim!

o jazz é música imaginaria.
a escuta do jazz é uma escuta alucinada, alucinada de imagens.
o que é o jazz?
um misto de esperança de angústia e de incertezas no olhar de Jimmy Smith.
a mescla de espanto, alegria e menosprezo orgulho, incerteza e meditação no olhar de
Ben Webster, quando ele contempla o seu sax tenor.
o jazz é o Presidente John Kennedy a dizer: “... Dexter Gordon é o meu saxofonista
preferido...”.
Bud Powell, desesperado.
a cumplicidade que unia Max Roach e Clifford Brown a veneração de Stan Getz por
Billie Holliday a adoração de Clifford Brown por Ellen Merrill as metamorfoses de
Don Cherry os orgasmos de Art Blakey.
a inexplicável melancolia de Paul Desmond e Bill Evans abandonado.
o triunfo de Duke Ellington as gargalhadas de Armstrong.
a autobiografia “Abaixo de abaixo de cão” de Charles Mingus, Billy Strayhorn no
leito de morte a injectar-se de sangue e a compor “Blood Count”.
Ray Charles a chegar à escola primária sem sapatos, muito caros para o salário da
mãe.
Monk sem emprego a passear o seu corpo linfático pelas ruas de Harlem, em Nova Iorque. give me job!!!
Albert Ayler esfaqueado a boiar no rio Hudson.
e também: Charlie Parker a morrer-de-tudo em casa da baronesa Nica Rothschild,
amiga dos músicos de jazz.
 e rica, herdeira.
e sobretudo: o exílio de Donald Byrd nas ruas de Paris.
a ternura no fundo do olhar de Biud Powell, turbeculoso.
e ainda: o filme “Round Midnight” de Tavernier e “Moore Better Blues” de
Spike Lee, quando o cinema sabe olhar o jazz.
Dexter Gordon a morrer, rodeado de amigos a pedir à mulher de Tommy Flanagan, a
bela Diana, para lhe trautear certos temas... “Body and Soul”, “You go my head”.
e enfim: Chet Baker a gravar com grande orquestra “All Blues” do Miles duas
semanas antes de cair de um quarto andar e morrer farto de tudo, menos do jazz.
Jerónimo Belo