terça-feira, maio 20, 2014

rooftop party @maianga

na década de 80 o terraço era um lugar cool para a juventude de luanda. 
era lá onde aconteciam muitas coisas... namoros, encontros entre amigos de determinado prédio e muitas festas, aliás, a par dos quintais, sempre tive impressão que naquele tempo todas as festas eram em terraços! 

agora, um grupo de pessoas tenta recuperar o conceito, talvez pelo facto que um dos motivos que cansa sair a noite nessa cidade seja também porque para determinado estilo de música as pessoas são sempre as mesmas e o lugares também. ver as mesmas pessoas pode até cansar, mas se o lugar for diferente tudo passa a ser diferente. 

parabéns a organização pelo conceito arriscado principalmente porque deve ser difícil encontrar moradores com a mentalidade certa para perceberem o quanto a cidade precisa dessas iniciativas. com excepção do preço das bebidas, é preciso que esta ideia seja repetida por outros lugares de luanda com a mesma qualidade e organização.

quarta-feira, maio 14, 2014

mentes brilhantes

a falta que eu sinto do meu pai é equiparável a necessidade que algumas comidas têm do sal. 

não há duvidas, os cotas têm uma mente brilhante. 

este fim de semana fui ao Kwanza Sul, numa viagem de autocarro com mais 17 pessoas, num grupo onde apenas 4 tinham menos de 50 anos de idade. 
o autocarro estava relativamente degradado e os bancos um tanto quanto duros para as minhas nádegas aguantarem uma sentada de aproximadamente 4 horas de viagem. o calor não ajudava e o motorista, apesar da simpatia, insistia na velocidade até que o cota M lhe chamava atenção com uma frase sempre acompanhada de algum humor. 

estar num lugar assim fechado com tantas mentes que viveram num passado cheio de utopias e planos que infelizmente na sua maioria nunca se concretizaram, é uma experiencia inesquecível em muitos sentidos. 

primeiro porque se aprende muito, mesmo que para isso é preciso antes ter-se uma paciência elevada para ouvir, ouvir, ouvir, ouvir e só depois com muita humildade opinar, porque apesar dessas mentes serem tão brilhantes, são ao mesmo tempo injustamente tão sofredoras. sofredoras no passado por uma incansável luta para que entre muitas coisas, um jovem como eu com menos de 35 anos hoje possa estar aqui a perder tempo com um blog. sofredoras também porque apesar de tanta luta depois de tantos anos, as suas utopias continuam a ser utopias, mesmo que algumas dessas mentes brilhantes continuam a ter esperança. e eu, que muitas vezes afirmo que já não tenho esperança, ao ouvir aquelas mentes brilhantes senti-me envergonhado. 

foi uma viagem mentalmente muito forte para mim, porque a determinado momento apercebi-me que as mentes brilhantes falavam de todos os assuntos, mas jamais ousaram em tocar na palavra política, mesmo que os seus olhos e os várias expressões que surgiam nas suas faces por momentos se aproximavam-se do tema. hoje, ao ler este excelente trabalho na rede angola, percebi alguns recados que me foram transmitido pelos olhares profundos das mentes brilhantes. 

entretanto, andando pelo Sumbe o passado esteve constantemente presente.

segunda-feira, maio 12, 2014

segunda-feira, maio 05, 2014

um convite aos de cá


Januário Jano (Angola) 
Nástio Mosquito (Angola) 
Ilhosvanny (Angola) 
Paulo Azevedo (Angola) 
Kiluanji Kia Henda (Angola) 
Jorge Palma (Angola) 
Yonamine (Angola) 
Wura-Natascha Ogunji (Nigéria) 
Jude Anogwih (Nigéria) 
Berry Bicle (Zimbabué) 
Emeka Ogboh (Nigéria)

sexta-feira, maio 02, 2014

a arte da teimosia

o Lukeny Bamba é um teimoso do caraças, só pode! 

sou louco por Luanda, é a minha cidade, o meu lugar, a minha aldeia, o meu amor, o meu porto e sem duvida alguma uma das minhas inspirações para os meus sonhos, incluindo alguns que espero realiza-los noutros lugares do mundo, mas não tenho receio de assumir que ela não é fácil, como diz um amigo, não é um lugar para fracos! 

o Lukeny é o responsável pelo Artes ao Vivo, uma iniciativa cultural e não só, que à 10 anos acontece nesta cidade. já passaram por três lugares diferentes e hoje estão no Espaço Bahia todas as terças-feiras, onde um grupo de pessoas junta-se para em microfone aberto fazer poesia, prosa poética, spoken word, por vezes música ao vivo, ou simplesmente estar ali para falar à branco com outras pessoas interessantes. não há como negar, 10 anos a organizar uma coisa dessas numa cidade que muitas vezes aplica duros golpes de decepção aos seus habitantes não é para fracos, é mesmo para pessoas de alguma forma especiais como o gaijo do Lukeny, esse amigo que felizmente cruzou o meu caminho ainda na minha infância.
   

terça-feira estive lá para presenciar mais uma noite de Artes ao Vivo, com um convidado muito especial para mim e sem duvida alguma para a cidade de Luanda. o convidado foi o TEDxLuanda 2014, um evento que tenho tanto orgulho por estar envolvido graças ao Januario Jano, outra pessoa que muito admiro mas que terá direito a um post próprio no dia em que decidir escrever sobre um homem que adora o conceito da partilha das ideias.
   

então os astronautas subiram ao palco e falaram sobre as suas experiências em serem TEDxster e de como essa plataforma mudou para sempre a sua forma de olharem o mundo. é verdade que têm havido algumas dificuldades, alguns dias cinzentos e até algumas noticias que quase nos derrubam, mas a teimosia é um factor indispensável para quem quer ser feliz em Luanda, e por isso, temos feito o melhor para que no dia 14 de junho O PODER DAS IDÉIAS seja partilhado com todos que estiverem interessados. 

brevemente, voltarei a este assunto. 
 


terça-feira, abril 29, 2014

quarta-feira, abril 23, 2014

no dia do livro

naquela casa onde cresci, algures pela cidade de Luanda, havia livros e mais livros. muitos de capa vermelha com letras numa língua esquisita que mais tarde vim a descobrir ser russo, outros em francês, inglês, espanhol, português e até havia um muito especial que o pai nunca deixava ninguém tocar, eram palavras em kioko! 

como criança e apesar de passar toda minha infância no meio de muitas palavras, pouco valor dava aqueles blocos que se acumulavam nas instantes lá de casa, ao ponto muitas vezes de dar um uso indevido aquelas páginas que nunca saberei ao certo que histórias contavam. quantas páginas não rasguei por birras infantis, quantas páginas não foram riscadas com os meus lápis de cor de filtro, muitas páginas foram queimadas no terraço lá de casa simplesmente porque achava engraçado roubar a caixa de fósforo da cozinha e inventar uma fogueira por cima daquelas letras... há muitas páginas até que foram usadas na casa de banho depois esvaziar o estômago, enfim, apesar de todas as maldades que fiz com as páginas dos livros que tinha lá em casa, existem também muitas outras páginas à quem tratei com carinho e que moldaram esse meu gosto por um dos objectos mais importantes da minha vida.

Angola Ano Zero

além da família e os amigos, cá está um momento que também devo agradecer aos anónimos que passam por esse espaço pelo contributo que deram por esse trabalho. 

muitas vezes, um email com palavras de incentivo e até reparos ajuda-nos a melhorar. 
 
mais informações sobre o circuito do documentário: 

terça-feira, abril 22, 2014

se também és contra, junta-te à nós

provavelmente, essas são as paredes do lugar mais democrata da cidade de luanda.

artistas, doutores, estudantes, toxicodependentes, engenheiros, roboteiros, kinguilas, adultos, expatriados, ricos, pobres, idosos, esfomeados, delinquentes, alcoólicos, políticos, jornalistas, jovens, pedreiros, rastas, carecas, enfim, toda gente sempre foi bem vinda no Elinga, essa casa de todos mas que infelizmente o demónio imobiliário quer agarrar com as suas mãos sujas.

quinta-feira, abril 17, 2014

para compartilhar

todos os dias recebo montes de emails colectivos com os mais diferentes assuntos. na sua maioria vão parar ao lixo sem sequer me dar ao trabalho de ler. mas há aqueles pessoas como a N, que sempre mandam emails surpreendentes como este. 

[Sandra vai dar a volta ao mundo para celebrar a vida e fotografar quem lê.

[Acordo Fotográfico]
   
foto acordo fotográfico

quarta-feira, abril 16, 2014

para compartilhar

cá está mais uma prova de como Luanda é uma cidade surpreendente. 
assim, "do nada" encontramos sempre mais uma pessoa interessante.
e foi assim, "do nada" que hoje encontrei The Alexe Affair.

terça-feira, abril 15, 2014

"Nzo" — do Kikongo — Casa, morada, onde se vive, uma casa normal.

uma das coisas que mais me surpreende em luanda é a forma "do nada" em como conhecemos pessoas interessantes. 

conheci a L e a S assim, "do nada" num dia qualquer "do nada" e se não me engano num daqueles ambientes “do nada” que só acontecem nessa luanda, e que só neste momento me apercebo de como o tempo passou! 

a L e a S são as sonhadoras responsáveis do projecto NZO, aquele email que muitos de nós recebemos com as actividades culturais que semanalmente vão acontecer em luanda. 

mas muito antes da NZO existir como agenda cultural, já recebia os emails da L que nunca foram chatos como aquela pilha de mails colectivos que recebemos diariamente na nossa caixa de correio. muito pelo contrario, os emails da L sempre tiveram algo de interessante, algo de comunitário, algo de voluntariado e foram desse emails que muitas vezes alimentei a categoria um convite aos de cá aqui no attelier. 

no outro dia, estivemos no instituto camões para ver o lançamento do site da NZO, um momento que testemunhei com bastante alegria e satisfação, porque é assim que me sinto sempre que vejo projectos que "do nada" se tornam referência. 

então já sabem, se passarem por aqui e não encontrarem nenhum convite para um show, lançamento de um livro, um evento de pé de dança ou aulas de salsa, procurem na NZO agenda que de certeza vão encontrar tudo sobre o que se passa culturalmente em luanda.