quarta-feira, junho 25, 2014

aos meus amigos de longe...

na outra semana que passou, Luanda teve um momento cultural que eu não via à bastante tempo. quinta, sexta, sábado e domingo não foram apenas dias de eventos culturais, foram dias de bons eventos culturais, o que infelizmente não é uma coisa normal para a cidade. a fortaleza, um lugar que durante muitos anos esteve fechado as pessoas, finalmente parece que nos foi devolvido! 5º aniversario do Goethe-Institut Angola, um momento especial com Conjunto Angola 70, crianças, jovens, idosos, estrangeiros, desempregados, executivos, estudantes, artistas, advogados, famílias... enfim, todos no mesmo espaço com vista para nossa baia com banda sonora dos anos 70!
   
depois veio o encerramento do TEDxLuanda 2014, outro momento exclusivo, em que pela primeira vez os três intervenientes da performance poético-musical SOBRE O MAR: poesias, apresentaram o projecto juntos! outros momentos marcaram a noite e no final, parecia que as pessoas estavam repletas de tanta coisa boa que tinha acontecido nos últimos dias. 

gosto de lugares assim, gosto muito mais de Luanda quando ela é assim.
 

sexta-feira, junho 20, 2014

quarta-feira, junho 18, 2014

orgulho-me da minha infância...

são 4h:22 e apesar do cansaço não posso me deixar adormecer porque preciso tirar para fora tudo que tenho cá dentro! 

o dia passou e com ele o TEDxLuanda 2014 chegou ao enfim, esse evento que quase derrubou a mente e em alguns caso o relacionamento de algumas pessoas que estiveram envolvidas na produção. não adianta repetir a dificuldade de organizar algo do género numa cidade extremamente arrogante como essa Luanda que eu amo. tudo é difícil, tudo é complicado, tudo é inacessível, tudo é caro, tudo é autorizado e o que mais me irrita, tudo tem que ser feito como eles querem! 

enfim, o TEDxLuanda passou e tenho muito orgulho por ter feito parte dessa história, desse momento que tenho a certeza vai mudar ou pelo menos deu inicio em alguma coisa que daqui para frente não será igual. não adianta fingir, para quem esteve naquela sala, sabe que o dia 14 de junho de alguma forma será recordado como um dia inesquecível.

como na edição passada, conheci tanta gente interessante que a minha memoria pulava de excitação sempre que me apercebia que estava a conversar com alguém que já seguia por aí. o Miguel Januário é alguém que faz tanto tempo que acompanho e admiro o trabalho dele, mas no momento em que tomei conhecimento que ele seria um dos oradores, simplesmente a minha memoria traiu-me porque já não me recordava da onde é que conhecia aquele nome! quando o Januario Jano falou-me do projecto dele, o ±MAISMENOS± continuei sem conseguir lembrar o lugar que tive o primeiro contacto com a cena que ele faz. numa madrugada, procurei na pilha de caixas de revistas e jornais portugueses que tenho em casa e nada! tinha a certeza que já tinha lido sobre ele, mas a memoria simplesmente não ajudava! só foi a meio da apresentação dele que do nada lembrei de como lhe conheci. alguns anos atrás por email de um amigo venezuelano que me perguntou se eu conhecia um gaijo dum projecto ±MAISMENOS±, porque a namorada dele estava extasiada com aquela ideia e não parava de falar no assunto. isso é também um momento TEDx, mesmo que muitos digam que seja uma coincidência! 

gosto de conhecer pessoas interessantes, e gosto que essas pessoas interessantes saibam que gosto delas. é um absurdo estar perante alguém que durante tanto tempo ouvimos a sua voz na rádio, vimos a sua imagem na televisão a falar de um assunto que naquele tempo era estranho para os putos angolanos, e no dia em que temos oportunidade de conversarmos perder tempo com outras coisas. frontalmente, disse ao Vladimir Russo que gostava dele e que era difícil não ter ele como uma referencia. tenho a certeza que foi ele a primeira pessoa que ouvi a falar de ambientalismo, reciclagem e essa onda que agora está na moda! 

o titulo desse post é propositado por causa de duas pessoas que reencontrei no TEDxLuanda 2014. o Paulo Pascoal e a Sheila Antunes. gosto dessas surpresas que acontecem na minha vida, principalmente porque me fazem ter a certeza de como tive uma infância e adolescência privilegiada, uma responsabilidade que constantemente esta presente em mim. cresci num altura em que as coisas eram muito diferentes de hoje, as diferenças eram inexistentes na mente de uma criança de 9 anos, os objectivos eram muito parecidos, todos queríamos ir a escola de manhã e brincar na rua de tarde ou vice-versa, as festas eram infantis, as estigas eram puras e inocentes, as professoras eram uma referência e até os nossos pais, pareciam muito mais felizes que hoje! tinha amigos da rua onde morava, amigos do bairro e amigos da escola, relações que aconteciam sem qualquer tipo de interferências de outras coisas como os brinquedos, as viagens, as roupas ou a função dos nossas pais! aliás, aparentemente todos os pais eram camaradas, um "estatuto" de igualdade que até certo ponto tenha dado algumas coisas positivas. depois desses anos todos em que fui para ali, para aqui e para muitos outros lugares, não tem como não ser prazeroso ouvir a história da Sheila e do Paulo e não sentir-me orgulhoso. é uma referencia que de alguma forma me recorda que vim de um lugar de onde vieram pessoas assim... assim como eles, e isso é para mim um grande motivo de felicidade. se os meus pais estivessem aqui, tenho a certeza que amanhã o tema de conversa no almoço de domingo seria o Paulo e a Sheila. 

seria difícil falar sobre todos os oradores, teria que partilhar aqui muitas emoções, muitos momentos, algumas lágrimas, sorrisos em grande quantidade e outros acontecimentos que só quem esteve no TEDxLuanda 2014 talvez tenha visto e sentido. 

para os que acompanham este espaço sabem o que penso do Ondjaki e o que ele representa para mim. a Alexandra Simeão, a Ângela Mingas, o Benja Satula e a Helga Silveira são teimosos... mas acredito que vai chegar o dia em que quem decide vai pensar como eles! com a Carla Nunes a história teria de ter um post próprio ou pedir ajuda a Suzete, a nossa ex-professora de piano que foi onde nos cruzamos pela primeira vez. o que penso sobre o Binelde está aqui e o Luiz Lima já o cerquei por todos os cantos, com certeza que vou aprender muita coisa com esse louco que escolheu deixar a Copa para estar aqui connosco. 

o Jack Nkanga e a Elisângela Rita de alguma forma têm algo em comum... são pessoas que fazem algo que infelizmente essa terra demora muito a valorizar! essa terra ingrata que eu tanto amo. no dia em que África despertar, com certeza que muitos Josiah Kavuma vão aparecer; só espero que não demore uma eternidade. 
do Mário Secca ao Pedro Gomes, é obrigatório que eu agradeça a todos pelo momento único que passei. 

aos astronautas do team TEdxLuanda obrigado por tudo que aprendi com todos e pelo prazer de passar algum tempo com pessoas tão diferentes que souberam transformar essas diferenças em algo positivo. até um dia.... ou, quem sabe, até ao próximo ano.
 

sexta-feira, junho 13, 2014

sexta-feira, junho 06, 2014

quarta-feira, junho 04, 2014

um convite aos de cá

um convite aos de cá



A entrada é gratuita e vamos sortear um ingresso! Sem falar nas surpresas que temos reservadas... Não podes faltar!!!! 

TED (Tecnologia, Entretenimento e Design) é uma comunidade de global, com mais de quinze mil vídeos traduzidos em mais de quarenta e sete idiomas, é uma comunidade de gente fantástica que acredita no poder das ideias para mudar o mundo, porque o mundo, somos todos nós. 

O TEDxLuanda é uma conferência organizada localmente sob a orientação do TED, da qual fazem parte oradores nacionais e internacionais que partilham as suas ideias, histórias, projectos, conhecimentos com a sociedade angolana e o mundo! É um evento que reúne pensadores de diversas áreas como arte, tecnologia, design, ciências... Para expor, esboçar as suas ideias em palestras de 5 a 15 minutos. 
Este ano realizar-se-á a terceira edição do TEDxLuanda a 14 de Junho.

segunda-feira, junho 02, 2014

faz tempo que perseguia este momento...

sexta-feira fui ver o show do Gabriel Tchiema, um músico que muito admiro e que nunca escondi a admiração que sinto por ele em todas as vezes que escrevi sobre ele aqui

a caminho do local do show, a música foi escolhida aleatoriamente e sem qualquer intensão, apercebi-me que já no carro tinha o pensamento na minha infância com as músicas do disco Tsikaya – músicos do interior, um projecto do Victor Gama que sempre me faz viajar. a viagem foi longa porque a sonoridade desse disco me fez regressar a minha infância e chegar mais uma vez a conclusão de que sou um ser privilegiado! para muitas pessoas a minha volta, assumir-se privilegiado é quase sempre encarado como um ato de arrogância simplesmente porque a palavra fere alguns ouvidos. sempre discordei desse posicionamento. sou privilegiado sim, sei ler, sei escrever, tive pais presentes, irmãos próximos, felizmente tenho poucos bons amigos, conheci outras culturas, outros cheiros, outros sabores, outras sonoridades, outras pessoas, outros lugares e mesmo aqueles lugares em que infelizmente desgostei, ao menos tive a felicidade de os conhecer. a música que sempre foi uma arte presente na minha vida, é também uma prova de o privilegio de crescer a ouvir coisas extraordinárias é um momento que infelizmente nem todo mundo pode reclamar e é por isso também, que cada vez que escuto o Gabriel Tchiema sinto-me feliz... feliz pelos lugares que ele me transporta, feliz pelas coisas que ele canta, feliz porque as minhas raízes coincidentemente serem de onde ele veio, feliz por ter tido pais que prepararam os meus ouvidos para que hoje pudesse escolher gostar de músicas como Mungole, Azwlula, Ngunai ou Tambwoka, só para dar alguns exemplo, feliz também por ter a capacidade de perceber de que se hoje tenho a oportunidade de presenciar momentos como aqueles que passei no show de sexta-feira, então é importante que valorize ainda mais as pessoas que me fazem passar por isso. 

quando decidi escrever esse texto, a intensão sempre foi escrever sobre o show, a organização e os momentos que passei naquela sala... a verdade é que o Gabriel Tchiema não deixou, porque todas as palavras que escrevi no paragrafo acima são o resultado de muitos pedacinhos que me entram pelo ouvido sempre que escuto este músico injustamente esquecido por uma sociedade cada vez mais atraída por gostos descartáveis! 

a organização um obrigado pelo momento extraordinário que passei e um abraço ao Yuri Simão e ao cota Majo que mesmo sem saber quem escreveu estas palavras merecem os meus sinceros parabéns pelo tiro certeiro com esta iniciativa do Show do Mês

que o próximo seja o nosso querido Waldemar Bastos.
 

a minha história com ele...


a memória é um lugar traiçoeiro, e por mais que duvide dessa afirmação, há sempre um momento em que não consigo desmentir-me! 

leio livros, leio revistas, leio jornais, vejo filmes e documentários, assisto noticias e alguns programas de televisão, sigo muitos blog´s, poucas redes sociais, recebo e envio montes de emails com coisas interessantes, converso pessoalmente com gente que nunca mais acaba e no final, há sempre coisas que faço de tudo para memorizar. 

tenho a certeza que foi no meio de umas dessas coisas que tive contacto com o Miguel Januário e o trabalho que ele desenvolve, mas vezes sem conta ouvi o nome dele como um dos oradores para o próximo TEDxLuanda e nunca fiz a ligação com o projecto ±mais.menos±

foi numa conversa sem destino algum que tive com o Januário (o outro, o TEDxMan), que do nada ele fez-me a ligação entre o street artist Miguel e o projecto ±mais.menos± que eu tinha certeza que já tinha lido algures por aí mas que até ao momento e por mais que tente não consigo me lembrar em que raio de meio fiquei a saber desse homem. 

por isso não tive outra solução se não arranjar um tempo para googlar Miguel Januário perder-me aqui, aqui, aqui e também aqui