sexta-feira, maio 23, 2008

…então calo-me

e assim estarei até ao dia em que o meu companheiro se restabeleça completamente.

Poderia escrever um breve ensaio sobre o silêncio. Ou antes, um catálogo de silêncios para a boa ilustração dos surdos¹:

O silêncio que precede as emboscadas;
O silêncio no instante do pénalti;
O silêncio de uma marcha fúnebre;
O silêncio dos girassóis;
O silêncio de Deus depois dos massacres;
O silêncio de uma baleia agonizada na praia;
O silêncio das manhãs de domingo numa pequena aldeia do interior do Alentejo;
O silêncio da picareta que matou Trotsky;
O silêncio da noiva antes do sim;
Etc.

Há silêncios plácidos e outros convulsos. Silêncios alegres e outros dramáticos. Há aqueles que cheiram a incenso, e os que tresandam a estrume. Há os que sabem intensamente a goiabas maduras; os que se guardam no bolso interior do casaco, juntamente com a fotografia do filho morto; os que andam nus pelas ruas; os silêncios arrogantes e os que pedem esmola.

¹
Supondo que quem viva em pleno silêncio não saiba em que consiste o silêncio. Um cego sabe em que consiste a escuridão?
José Eduardo Agualusa [As Mulheres do Meu Pai]

ouvindo Maybe Tomorrow dos Stereophonics

6 comentários:

Lis disse...

Vejo que ainda não chegou...

aline disse...

Não! Cala não.
Agora que eu estava gostando.

Anónimo disse...

Flor de Angelim

Baby, eu não quero me calar.

Te amo.

Muitos beijos, muitos mesmo.

Val Du disse...

Oiiiii!

Já estou sentindo saudades.

Beijos

Lis disse...

Ainda?

bekeflowerlee disse...

Sumiu? Encerrou?
????????????????:)