sexta-feira, dezembro 07, 2012

rejeição cultural?

sempre me orientei principalmente por valores que os meus pais me transmitiram. alguns talvez sejam culturalmente uniforme, porque pessoalmente sinto que têm o mesmo sentido na China, no Peru, na Finlândia ou em Angola. outros, como diria um amigo meu, variam da temperatura que cada lugar tem!

depois de crescido, mas sem me sentir adulto, sinto-me algumas vezes chocado com a cultura, mesmo aquela que desde pequenino faz parte dos meus dias. 

hoje, estive num prédio onde faleceu uma pessoa e a cerimónia do óbito decorria num espaço comum a todos os moradores. havia comida, bebidas, conversas, uma cozinha adaptada no terraço do primeiro andar, pessoas sentadas nas escadas, moradores desconfortados, crianças alegres corriam pelo corredor e muitas outras coisas. 

inexplicavelmente, senti-me diferente das outras vezes!

um convite aos de cá

quinta-feira, dezembro 06, 2012

Curvas


...
Este é também o problema do legado de Niemeyer que o ilimitado orgulho brasileiro não tem permitido "criticar". O que sobrevive do gesto livre, da monumentalidade, e da "fundação"? Trata-se de uma arquitectura feliz, sem dúvida, mas como canta João Gilberto: "tristeza não tem fim, felicidade, sim...".

Último paragrafo de um artigo escrito por Jorge Figueira a 14 de Dezembro de 2007 no Ípsilon.

terça-feira, dezembro 04, 2012

quinta-feira, novembro 29, 2012

terça-feira, novembro 27, 2012

quinta-feira, novembro 22, 2012

um convite aos de cá

Visto e revisto

Há países para onde não se pode viajar se o passaporte não tiver pelo menos duas páginas inteiras limpas. Essa verificação é feita pelo funcionário do check in e, se o passaporte não tiver as ditas páginas disponíveis, não se pode embarcar e a mala não chega a deslizar no tapete rolante que a faz desaparecer até, milhares de quilómetros e de milhas aéreas mais tarde, voltar a aparecer noutro tapete rolante, às voltas. 

O motivo para essa preocupação tem que ver com a eventualidade de, uma vez lá, ser possível viajar entre os países vizinhos e, dependendo do tamanho dos carimbos, facilmente se preencher duas ou mais páginas. Esse é o caso, por exemplo, da África do Sul. Onde pude comprovar a necessidade desse detalhe burocrático depois de ter passado pelas fronteiras com a Namíbia, o Botswana e Moçambique. Após essa experiência, aquilo que há mais a lamentar não é o papel, são as horas em que se podia estar a fazer alguma coisa que talvez nunca mais se volte a ter oportunidade de fazer na vida. 

Respeito os sentimentos que se pode ter por objetos, como é o caso de pequenos cadernos de capa avermelhada, mas não sou capaz de senti-los completamente. Conheço muitas pessoas que vão à polícia dizer que o seu passaporte foi roubado apenas para, na hora de fazerem um novo, não terem de deixar o antigo. Não é esse o meu caso. Custa-me pouco entregar um passaporte cheio de carimbos e vincado por viagens e viagens no bolso de trás das calças. Não reconheço naquelas páginas mal carimbadas o melhor das viagens que fiz. 

Consigo perceber que um passaporte cheio de carimbos se assemelha bastante a uma caderneta de cromos. Respeito os sentimentos que se pode por cadernetas, sobretudo quando já se conseguiu aquele cromo mais difícil. No entanto, para mim, recordam-me muito mais os momentos de tensão em que fiquei diante de um polícia, sentando numa cadeira alta, a olhar muito serio para mim, a fazer-me perguntas com mau tom (O que é que vem fazer ao País? Onde fica hospedado? Quando é a sua viagem de regresso?) e carimbar o passaporte contrariado, atirando-o para cima do balcão, sem olhar para mim, sem agradecer e sem se despedir. Os estudantes licenciados em Direito de certeza que haveriam de ter muito a dizer sobre este assunto. Seria interessante ouvir as suas razões, no entanto, acabei de chegar a minutos da Embaixada da Índia e os meus instintos dizem-me que todo a gente teria a ganhar se não existissem esse papéis, se não fosse preciso desperdiçar estas horas à espera que chamem o número do talão. Considerando o que se paga por cada visto, imagino que seja uma atividade que se financie a si própria e que dê algum lucro, mas acredito a senhora que passa os dias a responder às mesmas perguntas atrás de um vidro preferisse dedicar a sua vida a outra atividade. Talvez algo ao ar livre. 

Se houver algum problema, o que esperam resolver com duas fotografias tipo passe? A única vantagem, parece-me, é que, assim, obrigam-nos a descobrir ruas do Restelo onde talvez nunca entrássemos. Descubro-as com o GPS, tal e qual como se estivesse perdido na savana africana. Afinal, talvez essas voltas também façam parte. Talvez a viagem já tenha começado. 

 José Luís Peixoto, escreve com acordo ortográfico

terça-feira, novembro 13, 2012

um convite aos de lá

Apareça na Livraria Buchholz 
Esta TERÇA a partir das 18:30h 

Lançamento do livro “Os transparentes”. 

uma conversa 
algumas leituras 
alguns autógrafos 
... 


Outras datas 
dia 15 (qui): Porto, Faculdade de Letras Porto (14:30h) sala 201 

16 (sex): Porto: participação debate/Colóquio Jorge Amado às 9:45am (faculdade de Letras, Porto) 

17 (sáb): Vila Real (18h) 

19 (seg): Matosinhos, Biblioteca Municipal (18h) 

20 (ter): Santiago de Compostela (19h) 

21 (qua): Coimbra, (18h) autógrafos na livraria “Lápis de Memórias” (Av. Elisio de Moura, 29) 

22 (qui): Barreiro, Biblioteca Municipal (21h) 

23 (sex): Loures, Biblioteca Municipal (21h)

quinta-feira, novembro 08, 2012

sabe bem voltar... voltar a ler.

Parece-me mais fácil ter fé em Deus, não obstante ser algo tão para 
além da nossa limitadíssima compreensão, do que na arrogante
 humanidade. Durante muitos anos, afirmei-me crente por pura
 preguiça. Ser-me-ia difícil explicar a Odete, a todos os outros,
 a minha descrença. Também não acreditava nos homens, mas isso as
 pessoas aceitam com facilidade. Compreendi ao longo dos últimos
 anos que, para acreditar em Deus, é forçoso confiar na humanidade. 
Não existe Deus sem humanidade.

 Continuo a não acreditar, nem em Deus, nem na humanidade. 
Desde que Fantasma morreu cultuo o espírito d´Ele. Converso com 
Ele. Julgo que me escuta. Acredito nisso não por um esforço
 da imaginação, muito menos da inteligência, mas por empenho
 de uma outra faculdade, a que podemos chamar desrazão.

 Converso comigo mesma?

 Pode ser. Como, aliás os santos, aqueles que se vangloriavam de 
conversar com Deus. Eu sou menos arrogante. Converso comigo, 
julgando conversar com a alma doce de um cão. Em todo o caso são 
conversas que me fazem bem. 

Ludovica Fernandes Mano em Teoria Geral do Esquecimento
de José Eduardo Agualusa

um convite aos de cá


 

terça-feira, setembro 11, 2012

um convite aos de cá

Casa de Cultura Brasil – Angola, no âmbito das comemorações do aniversário da Independência do Brasil, tem a honra de lhe convidar para as sessões de filmes brasileiros, que ocorrerão do dia 13 de Setembro ao dia 04 de Outubro, sempre às quintas-feiras, às 16h. A entrada é livre. A Casa de Cultura Brasil – Angola fica na Rua Fernão Lopes, 67-A, Bairro Valódia. Contamos com a sua presença!

 PROGRAMAÇÃO 

Dia 13 de Setembro (Quinta-feira) - 16h – Filhas do Vento.
Direção: Joelzito Araújo.
Sinopse: “Filhas do Vento é uma história de amores, mágoas, ressentimentos e redenção entre quatro mulheres. Uma história universal, capaz de ser partilhada por qualquer mãe, irmã ou filha, de qualquer ponto do planeta”. 
Elenco: Milton Gonçalves, Ruth de Souza, Léa Garcia e Taís Araújo.

Dia 20 de Setembro (Quinta-feira) 16h – Villa-Lobos - Uma vida de Paixão.
Direção: Zelito Viana.
Sinopse: “ Villa - Lobos - Uma Vida de Paixão narra a história do músico Villa – Lobos, um homem aventureiro e intuitivo que amava a sua terra. Antes de tudo, um brasileiro que lutou muito para manter-se fiel a si próprio e às suas raízes. Sua música é um retrato de sua paixão pelo Brasil”. Elenco: Marcos Palmeira, Letícia Spiller, António Fagundes. 

Dia 27 de Setembro (Quinta-feira) 16h – Língua Mãe.
Direção: Fernando Weller e Léo Falcão.
Sinopse: “Em 2008 surgia a ideia do Projeto Língua Mãe, que reuniria crianças de Portugal, Brasil e Angola sob a batuta do músico Naná Vasconcelos. Nascia, assim, um espetáculo comemorando os 50 anos da capital brasileira no ano de 2010, no Teatro Nacional de Brasília. Este documentário é um registro de preparação do espetáculo em três continentes e um olhar sobre os encontros que a música promove. 

Dia 04 de Outubro (Quinta-feira) -16h – O Dia da Caça.
Direção: Alberto Graça
Sinopse: “Nando, que há quatro anos abandonou o tráfico é obrigado a buscar droga na fronteira com a Colômbia. Pressionado procura um amigo, que conheceu no reformatório. Ao retornarem da Colômbia, às margens do rio Amazonas, conhecem uma jovem, amante de um traficante. Juntos descobrem que foram traídos. Resolvem, então, arquitetar um plano de vingança”. 
Elenco: Marcello Antony, Paulo Vespúcio, Jonas Bloch, Barbara Schulz, Milton Gonçalves, Felipe Camargo.