quinta-feira, julho 29, 2010

Maningue Nice

se nos muitos anos que vivi em Aveiro a saudade tivesse um nome, Fernando Santos “Aiaia”, podia sem duvida alguma ser esse nome.

A voz do Aiaia faz parte dos muitos dias de alegrias, tristezas, preguiça, chuva, frio e das saudades que nos tempo que estava longe de Angola, as recordações surgiam cada vez que ouvia as suas musicas. houve dias até, que estudar com a música do Cota Fernando significava reprovar no exame porque varias vezes dava comigo a olhar para o caderno mas com a mente num tempo distante algures na minha infância!

ketas como Africana (Vem Dançar), Overdose, Pretinha, Manazezinha ou Dizem que Sou, pareciam mesmo que tinham sido escritas para nós, que com sacrifício tínhamos deixado os amigos, os brinquedos, o quarto, o cheiro da nossa casa, as vozes dos pais... para abraçar a aventura de ir viver bem longe da felicidade.

Fernando Santos “Aiaia”, é cota, já tem um coxe de cabelos brancos, voz rouca e tem uma forma própria de cantar as suas/nossas lamentações.

Fernando Santos “Aiaia”, completou 20 anos de carreira e nessa festa de aniversario levou-nos ao passado, ao tempo em que as noticias sobre Angola chegavam na tuga gota à gota.

acompanhado pelos Kimbambas do Ritmo, a festa foi aberta pelo cota Dom Caetano que como sempre contou as suas historias. os mais velhos Lulas da Paixão e Bangão impecavelmente bem aprumado como sempre nos habituou, contribuíram para esquecer o atraso do inicio do show... mas o momento era do cota Aiaia.
Lulas da Paixão

Cota Bangão



tenho a certeza que naquela plateia que encontrei muitas caras regressadas da tuga, as lágrimas estiveram presente! talvez possa parecer estranho, mas hoje, quando oiço musicas que foram a banda sonora dos tempos da tuga, é impossível não sentir saudades da época em que as saudades da banda eram constante. músicos como Fernando Santos, Paulo Flores e Eduardo Paim, sempre souberam cantar as angustias dos emigrantes, e hoje, apesar de todas as dificuldades que vivemos lá fora, acredito pouco que exista alguém que ainda assim não sinta saudades do tempo que as lágrimas vinham sempre que ouvíamos Angola.






Cota Bangão, Fernando Santos e Dom Caetano

[não creio muito que as minhas lamentações são lidas por quem organiza esses momentos, por isso mesmo decide desde já diminuir para bem pequeno o tamanho da letra. quero reclamar, sim, reclamar da falta de respeito que se tem com o público nos espectáculos organizados aqui em Luanda. é incrível, o atraso de horas que na maior parte das vezes acontece e infelizmente, fruto do nosso conceito africano de esquecer quando as coisas já estão a kuiar, os produtores de espectáculos (e os músicos também) esquecem-se que estar num show ao final de um dia de trabalho em Luanda não é uma coisa fácil. o transito diário, as complicações para estacionar, os preços altíssimos dos bilhetes e ainda assim, as pessoas que chegam a hora têm que suportar mais de hora e meia para ver o musico por cima do palco!

aos amigos das tertúlias, cá está outro exemplo que o desenvolvimento de um povo não está apenas em construir prédios bwê altos, importar palmeiras de Miami ou ter um Mazzerati em estradas esburacadas.]

1 comentário:

Carlos Alberto disse...

Participei e gostei do que vi.
Apesar do atraso considerado, mas o ambiente foi agradável.