sexta-feira, janeiro 18, 2008

personagens dos meus dias III

do outro dia quando saia de casa, deparei-me com eles juntinhos e com passos bem sincronizados caminhavam perante a minha visão que os seguia com alguma curiosidade.

mais a frente e já na zona do ex largo da Maianga, hoje largo do engarrafamento insuportável, pararam e posicionaram-se a meio da calçada. queimei algum tempo a observar aqueles movimentos “treinados” dos dois, enquanto o da frente mais baixo, mais novo, mais inocente e mais atento dirigia-se para as pessoas e falava qualquer coisa, o de trás mais alto, mais velho, mais vivido e mais distraído dirigia-se para as pessoas em silencio e com o movimento do braço de baixo para cima abrindo a palma da mão logo a seguir.

sem que nada me distraísse, concentrei-me nas minhas personagens, reparando que no final do curto dialogo que mantinha ou tentava manter com as outras personagens apressadas que por ali passavam, apenas o da frente alterava a imagem da sua face.
resolvi então aproximar-me e ouvir as palavras que saíam daquela boca faminta, e sem dizer bom dia levei a mão ao bolso e entreguei-lhe parte do que lá tirei. levantei a cabeça e sem me despedir continuei a minha caminhada deixando para trás aqueles dois seres dependentes um do outro. o da frente que explora as incapacidades do outro e o da trás que explora as capacidades do outro.

3 comentários:

Lis disse...

É dificil viver filmes assim...

Anónimo disse...

As sequências dos filmes parecem não mudar...

Jõao Pedro

luana disse...

cenas assim acontece aí, e também aqui no Brasil.
e o que mais incomoda é a nossa incapacidade diante de tudo isso.