quinta-feira, janeiro 01, 2009

os últimos quilómetros de 2008

e então, este é que é o 2009?
antes de me despedir de Juazeiro, fui descer o rio e atracar em Rodeadouro.
Rodeadouro é uma das muitas ilhas do Rio São Francisco uma espécie de Mussulo melhor preservado, travessia lenta, areia fina, acastanhada e muito quente, restaurantes em cabanas, muitas mesas a beira rio e uma vista de difícil classificação.

antes do almoço, o tira gosto. não sabia o que era, pedi porque achei lindo e por isso também o queria experimentar o maracujá que ia para as outras mesas. parecia um patê feito com peixe e maracujá e servido dentro da própria fruta, nem muito doce nem muito salgado e muito gostoso. quando perguntei se era especialidade de alguma zona do país, o homem respondeu com todo orgulho que aquilo só se come na sua cabana.

a seguir, novamente a partida. despedi-me do rio, das ruas, do cheiro, da farófia da Nauva, do bar do Geraldo, da carne do sol e dos amigos, bons amigos fiz eu. parti para o litoral, Petrolina, Caetité, Brumado, Vitória da Conquista, Itapetinga até o sono não me deixar ver mais nada. ao total foram 12 horas de viagem até Itabuna e mais uma para chegar a Ilhéus. pela estrada a vista era de escuridão grandes e muitas estrelas de noite e pela manhã, verde, verde e mais verde!
que tipo de poluição haverá aqui!?

em muitas terreolas que passei, havia a berma da estrada muitas e muitas igrejas (ou serão religiões?), tudo em nome do Senhor, Deus disso, daquilo, universo daqui e dali, enfim, estranhei porque mais parecia uma competição saudável de bares.

Ilhéus, mar e sol. 
penso que a informação que me foi dada não foi a mais correcta. o mar está ali e o sol faz-se sentir com muitos raios, mas penso que aqui os dois são secundários. primariamente é do Jorge Amado que me deveriam ter falado, afinal o homem viveu aqui e até tem uma estatua no restaurante que todos os dias se sentava para fazer uma boquinha. aqui, bem no centro da cidade e ao lado da linda catedral notei que a paz ficou para trás e o turismo aos montes estava presente talvez também pela época, afinal estávamos a horas da passagem do ano e o enorme palco montado na praia era o sinal de que mais tarde a festa prometia.
a passagem não foi muito diferente de alguns locais pelo mundo, antes o silêncio e depois o céu se encheu de luzes e cores como em muitas cidades, hoje, desconfio até que o show do fogo de artificio também já é política!
depois da viragem, lembrei-me de um artigo da revista Veja que li-o durante a viagem sobre o Sudão e pensei em como terá sido o reveillion em Darfur?

1 comentário:

ana clara disse...

Você está descobrindo o Brasil!
Que bom.